Bilinguismo: na teoria e na prática

Muito se fala sobre criar filhos bilíngues, mas na prática as coisas nem sempre funcionam como os pais planejaram. Vamos tentar enfatizar a importância do convívio com diferentes idiomas na criação de uma criança, e como os pais podem ser a ferramenta essencial para que isso ocorra.

Sou professora há 18 anos e mãe há 14 meses. Em minha formação – Letras – sempre dediquei muita atenção à Linguística e suas aplicações; ainda lá no Brasil, atuava tanto como professora de língua materna (o português no Ensino Fundamental e Médio), bem como professora de língua estrangeira (italiano em uma escola especializada nesse idioma). Sempre defendi que as crianças que tivessem a oportunidade deveriam ser expostas a mais de um idioma desde o nascimento, pois cresceriam com o domínio das diferentes línguas, sem o esforço que um adulto deve fazer para aprender um segundo ou terceiro idioma.

Teoricamente, meu filho crescerá no mínimo bilíngue. Mas na prática, isso só acontecerá se houver o empenho dos pais: para que uma criança se tornar competente em dois (ou mais) idiomas, precisa haver estímulo da prática linguística (ouvir e falar, ler e escrever) nos diferentes idiomas.

Situações favoráveis ao bilingüismo

Para que as crianças sejam bilíngues fluentes, é necessário haver um padrão natural e descomplicado que ofereça a chance das duas línguas florescerem. Por exemplo, quando um dos pais fala uma língua com a criança, o outro fala uma língua diferente, mas ambos interagem com a criança por períodos consideráveis de tempo, pode haver exposição suficiente aos dois idiomas. Outro bom exemplo é a criança aprender um idioma dentro de casa, e o segundo em um “playgroup”, escola ou comunidade.

No entanto, se um dos pais fica ausente por longos períodos, a exposição ao idioma que ele proveria fica debilitada, o mesmo ocorrendo se a criança passa o dia inteiro na escola e só ouve o idioma dos pais por curtos períodos à noite e aos finais de semana. Para que famílias nessa situação consigam criar filhos bilíngues, é preciso haver planejamento e estratégia, criando possibilidades para que a criança ouça, fale, leia e escreva no segundo idioma, expondo-a a uma variedade do idioma em diferentes contextos (ler livros, ouvir música ou escutar histórias, visitar o zoológico ou um parque).

Se é importante que a criança tenha determinada quantidade de exposição à linguagem, não menos importante é a qualidade dessa exposição. Alguns pais não se comunicam suficientemente com os filhos, e no outro extremo, existem pais que bombardeiam os filhos com informação, mas não dão a eles a oportunidade de se expressarem.

Como os pais devem agir

Os pais podem ajudar a criança a se expressar fazendo perguntas que exijam mais do que “sim” e “não” como resposta; expandindo a idéia quando a criança tenta se comunicar (“rua” – “sim, agora nós vamos passear no parque”); encorajando a criança a falar e valorizando o que ela diz; sendo um bom ouvinte; usando uma linguagem mais simples e ligando palavras aos objetos ou à figuras para ajudar a memorização.

Criar uma criança bilíngue exige determinação e paciência, mas o benefício para seu futuro faz valer todas as dificuldades. Aliás, na próxima edição do blog-tim, vamos falar das vantagens proporcionadas pelo bilinguismo!

As discussões contidas neste artigo são baseadas no livro A Parents and teachers Guide to Bilinguism, de Colin Baker.

Nota da ABRIR

Prezados Pais,

Devido ao sucesso do blog-tim, a ABRIR continua com a seção Bilinguismo, agora escrita por Maria Lúcia Mancinelli. Malú é formada em Letras e tem Mestrado em Literatura pela USP. Com anos de magistério, ela tem experiência no ensino da Língua Portuguesa para Ensino Fundamental, Médio e Universitário, além de ter lecionado português para estrangeiros. Sua experiência como professora agora é complementada pela experiência como mãe, como Malú explica em seu primeiro texto sobre bilinguismo.

Abraços,

Ana Souza
Fundadora e Diretora da ABRIR

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Publicado em 04/11/2010, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Rosângela

    Moro aqui no Brasil, mas as minhas filhas estudam em uma escola bilingüe. Acredito ser muito rica essa experiência, pois se partirmos do pressuposto que a linguagem representa boa parte do mundo da criança (ou melhor lhe dá contornos) o segundo ou o terceiro idioma amplia seus horizontes.

  2. Camila Nunes

    Gostei muito do texto, muito util e de facil entendimento! Aguardo ansiosa para o proximo assunto!Obrigada!

  3. Ana Paula Passos Jakubow

    Olá, papais e mamães!

    Procuro famílias com crianças bilíngues (até os 4 anos de idade), sendo um dos pais falante nativo de português brasileiro e outro, falante nativo de inglês.

    Se estiverem interessados em participar ou se precisarem de mais detalhes sobre a pesquisa, por favor, entrem em contato pelo e-mail anapassos88@hotmail.com.

    Obrigada!

    Ana Paula Passos Jakubów.

    Mestranda em Linguistica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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