Adquirindo experiências diversas

Por Cláudio Eduardo Souza

Em seu quarto artigo da série escrita por brasileiros que trabalham no sistema educacional britânico, o Blog-tim apresenta a experiência do professor Cláudio Eduardo Souza e seu trabalho com alunos que vivem com autismo.

A experiência que veio na bagagem

Trabalhei como professor de ensino fundamental no Brasil por 12 anos. Lá também tive a oportunidade de participar de iniciativas tais como a parceria entre o Projeto Travessia, proposta paulista inspirada no Projeto Axé da Bahia, e o Núcleo de Trabalhos Voluntários da PUC/SP.

Nos últimos anos antes de vir para a Inglaterra, fui Coordenador Pedagógico do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, organização com atuação em 24 dos estados brasileiros e com responsabilidade sobre projetos com aproximadamente 3 mil educadores e 150 mil crianças e adolescentes entre 1999 e 2000.

Transferindo habilidades para um novo contexto

Ao chegar na Inglaterra em 2002 sem falar absolutamente nada em Inglês, vi a possibilidade de usar a experiência que adquiri no Brasil ao ler um anúncio na revista Leros. O BrEACC oferecia vagas para professores de Língua Portuguesa e/ou cultura brasileira. Depois de um rígido processo seletivo que durou por volta de seis meses, a vaga me foi oferecida e eu então trabalhei lá por um total de quatro anos, três anos como professor e um ano como coordenador pedagógico. Com base nesta experiência eu pude adquirir confiança e ter tempo para aprender sobre o sistema educacional aqui na Inglaterra.

O processo para entrar no sistema educacional inglês

Por três anos, estudei inglês e aos poucos arrumei os meus documentos: tive o meu currículo traduzido, solicitei a equivalência das minhas qualificações adquiridas no Brasil através do envio de documentos para o Naric e, me cadastrei na Hays Education – uma agência de trabalho especializada em vagas para professores assistentes em escolas da rede pública de ensino na Inglaterra. Fui convocado para uma entrevista depois de uma semana. Assim, fui selecionado para substituir aulas de professores que faltavam por motivos de saúde e/ou motivos outros.
Depois de um mês trabalhando em escolas variadas, fui convidado a fazer um teste de duas semanas para uma vaga como professor assistente numa Escola de Teatro e Artes Performáticas Sybil Elgar School para jovens e adultos entre 16 e 19 anos diagnosticados como pessoas que vivem com autismo. Fui bem sucedido na entrevista, e lá trabalhei por quatro anos como professor assistente e outros três anos como professor titular. Além de ministrar aulas de cidadania para a minha turma de alunos, também ministrei aulas de acesso à comunidade e ao mundo profissional para outros grupos de jovens adultos de 16 a 19 anos.

E a mala fica mais pesada

Estes sete anos na Escola de Teatro e Artes Performáticas Sybil Elgar School me proporcionaram experiências muito ricas. Foi um período onde eu aprendi imensamente não só sobre o sistema inglês de ensino como um todo, mas também sobre os desafios e conquistas de pessoas com necessidades especiais. Continuo no trabalho de difusão do ensino da Língua Portuguesa e cultura brasileira, mas estou reorientando minha carreira com um foco maior na área terapêutica e psicológica, através da conclusão de um curso de psicoterapia com uso de artes.

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Publicado em 13/05/2012, em Espaço do Professor. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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