Vivemos duas línguas

Teca e seu filho Pedro de 15 anos resolveram escrever juntos um texto para o Blog-tim Abrir sobre suas experiências de irem e virem entre dois países e duas línguas. Conheça a experiência desta família que agora vive no Brasil.


Ponto de vista de um adolescente

Em 2002 fomos morar em Londres, meu irmão e eu falávamos bem o português e não fazíamos ideia do que era a Língua Inglesa. Nossos pais explicaram que seria difícil no começo e que aprenderíamos na escola. Eu era pequeno, tinha cinco anos e meu irmão também, tinha três anos e meio.
 Na verdade, o inglês cresceu dentro da gente, dia após dia e sem percebermos tomou conta do nosso português. Minha mãe pedia para falar português em casa, ela sabia que quando voltássemos para o Brasil precisaríamos dele. Eu e meu irmão conversamos mais em inglês até hoje!
Vivemos em Londres por cinco anos e hoje falamos as duas línguas fluentemente, escrevemos e lemos também. Não sei se por saudade ou porque aprendemos quando crianças, até hoje preferimos o inglês. Estudamos numa escola bilíngue, o Brazilian International integration School e desde que chegamos não tivemos problemas com notas por não saber o português. Na escola temos meio período em inglês e meio em português, com nossos amigos falamos mais inglês que português fora da aula, mas com os que não sabem muito, falamos português mesmo.
Hoje, que sou mais velho, percebo que falar as duas línguas é importante. Quando fiz os testes de Cambridge aqui em São Paulo, vi que é bom saber um bom inglês!



Ponto de vista de uma mãe

Em Londres, vivi a ansiedade de que meus filhos se adaptassem à nova língua, mas em três meses percebi que o inglês deles era bem melhor que o meu! Minha maior preocupação foi quanto à alfabetização em português. Como educadora, percebia que filhos de amigas também expatriadas sofriam muito com o retorno ao Brasil e com a necessidade de encarar a gramática nas classes de sexto, sétimo ano. Por esse motivo investi pesado na alfabetização dos meus filhos. Eu mesma os alfabetizei em português. Comprei livros e os ensinei a ler, escrever, separar sílabas. Alguns livros são ótimos para isso, a Arca de Noé, de Vinícius de Moraes, Amigos do Peito, de Cláudio Thebas, o Pote Vazio, de Demi e, O Saci, de Monteiro Lobato.

A certeza da escolha certa

Ser bilíngue é falar e pensar duas línguas! Depois de fazer alguns cursos sobre bilinguismo aqui no Brasil na PUC-SP e na Red Brick, percebi que havia feito a escolha certa. Ter visto os meus filhos terem sucesso ao retornarem ao Brasil para cursarem o quarto e o quinto ano me fez ter a certeza de que o meu esforço em manter o português em casa tinha sido válido.

Considero que manter os dois idiomas é um benefício e a verdadeira manutenção é diária. Somos falantes de duas línguas riquíssimas que merecem respeito!

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Publicado em 29/06/2012, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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