Criar filhos bilingues: uma questão de organização

por Malu  Mancinelli 

Criar filhos não é tarefa fácil. Os pais precisam ensinar e ser exemplo de como se portar, agir e pensar.

Já vimos em textos anteriores no Blog-tim Abrir que não existem desvantagens em criar filhos bilíngues ou multilíngues. Ao contrário, as crianças educadas dessa forma têm mais facilidade em leitura e compreensão não apenas de textos, mas também do mundo.

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Nesta semana, participei de um seminário sobre multilinguismo que trouxe algumas discussões muito interessantes sobre o tema. Sim, trouxe discussões, perguntas, mas não respostas, porque as soluções têm que ser encontradas dentro de cada família, levando em conta a vida e as experiências de cada um de seus membros.

Estabeleça metas

A primeira grande questão seria definir qual nível de cada idioma os pais desejam que o filho alcance. Essa decisão deve ser tomada o quanto antes, para que nenhuma oportunidade de aprender o idioma seja perdida ao longo da educação.

Sua família deseja que o(s) filho(s) seja(m) capaz(es) de falar bem o bastante para:

*brincar com outras crianças de mesma idade,

*visitar os familiares no país X,

* ter sucesso na escolar,

*ler tanto na primeira quanto na segunda língua,

*ler e escrever tanto na primeira quanto na segunda língua,

*eventualmente ler e escrever em nível universitário em ambos os idiomas,*eventualmente trabalhar em qualquer um de seus idiomas (compreender, falar, ler e escrever com igual habilidade).Os pais precisam discutir e chegar a um acordo em relação ao nível de cada idioma que desejam que o filho aprenda.  Estabecida a meta , é preciso desenvolver um plano coerente e possível para ajudar a criança a desvendar o mundo em vários idiomas. Não adianta estabelecer um plano que não pode ser posto em prática!Por exemplo, a família decide que o pai vai falar inglês com os filhos, a mãe fala português e na escola o idioma é francês. Teoricamente perfeito, mas se o pai viajar muito e não tiver presença constante na vida dos filhos, o idioma dele vai ficar em desvantagem.Um estudo na Holanda demonstrou que 20 minutos diários de exposição a um idioma é suficiente para que, em um ano, exista um aprendizado relevante. O mais interessante neste estudo é que as crianças holandesas que tiveram 20 minutos de exposição diária ao inglês, depois de um ano não só falavam melhor inglês do que as crianças que não tiveram esses minutos – isto é óbvio – mas também falavam holandês muito melhor do que as outras!


Estratégia e consistência
Se você já definiu a meta e estabeleceu um plano, agora precisa ter estratégias para que seu filho possa aprender os idiomas. Não importa se o plano é ler um livro em português todas as noites antes de  dormir, o essencial é ser consistente e não ceder se o filho pedir pra você ler em inglês naquela noite; se o decidido foi que a mãe sempre falaria em português, assim deve ser feito, mesmo que o filho responda em outro idioma. Não desista e, sobretudo, não misture os idiomas quando falar com os filhos, mesmo que eles o façam! Os pais são o exemplo, e os filhos seguem seu modelo.As questões contidas neste artigo foram suscitadas durante o seminário da Dra Tracey Tokuhama-Espinosa ,  da Universidade San Francisco de Quito, Equador.
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Publicado em 20/11/2012, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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