Crianças multilingues: uma realidade atual

BILINGUISMO HEADINGpor Malu Mancinelli

Nesta semana, estávamos na sala de espera do pediatra, e, folheando uma revista semanal da região, encontrei uma matéria sobre bilinguismo ocupando 9 páginas. Exagero? Não num país com 4 idiomas oficiais e uma quantidade de imigrantes e expatriados que chega a 40% da população! A Suíça é realmente um campo propício ao multiliguismo, uma babel de idiomas que, ao menos aparentemente, convivem em harmonia.

Nos parquinhos infantis, ouvem-se três, quarto idiomas facilmente. E o idioma em que as mães se comunicam umas com as outras é quase sempre diferente do idioma que utilizam com seus filhos. O último censo publicado informa que 40% dos casamentos na Suíça é entre parceiros de nacionalidades diferentes, e isso se reflete no grande número de escolas e creches bilíngues: apenas na Suíça francesa são mais de 60!

Lingua como elemento de inclusão e de exclusão: uma questão sócio-econômica

Um professor de sociologia da linguagem do Instituto de Plurilinguismo de Friburgo , Alexandre Duchêne, revela que o nivel sócio-econômico (educacional, na realidade) da família tem um papel crucial na aquisição do segundo idioma. Se entre os imigrantes e os casais mistos da classe média o bilinguismo revela que as crianças pertencem a duas ou mais culturas , entre as crianças filhas de imigrantes de classes sociais mais baixa, a realidade pode ser problemática. Esses pais muitas vezes não falam a língua do país que os acolheu e,  muitas vezes não falam corretamente seu próprio idioma de origem.

Esses casos podem explicar porque alguns mitos sobre os “nefastos” efeitos do pluringuismo ainda circulem, e tantos pais tenham receio de educar os filhos em mais de uma língua. Não é porque uma criança fala o idioma materno em casa que vai ter dificuldades na escola. Ao contrário, as dificuldades aparecem porque ela não domina bem o idioma materno, afirma o professor Dûchene.

Quando começar?

Estudos mostram que crianças expostas a vários idiomas desde bebês processam esses idiomas na mesma parte do cérebro, enquanto que uma exposição tardia leva o cérebro a processra o segundo idioma na outra metade do cérebro. Isso quer dizer que, quanto mais cedo a criança tiver acesso ao segundo idioma, melhor, ela vai crescer com duas ou mais “primeiras línguas”.

É preciso estar atento, para não perder as oportunidades que o desenvolvimento infantil oferece: do nascimento até os 9 meses de idade o bebê vai identificar os idiomas com que tem contato como “línguas maternas”. Entre 9 e 30 meses, as chances de aprender dois (ou mais idiomas) é ainda grande, e dos 4 aos 8 anos apresenta-sea última boa oportunidade de plurilinguismo, já que a criança ainda é capaz de aprender um idioma intuitivamente.

O que esperar, quando se preocupar?

Entre os 2 e 3 anos, é normal que a criança misture os idiomas, mas a partir dos 3 ou 4 anos, ela começa a reconhecer e nomear os diferentes idiomas.  A partir dos 5 anos, a criança entende o conceito de tradução, e entre 4 e 10 anos, é normal que uma criança transfira estruturas sintáticas de um idioma para outro. Se aos 6 anos a criança ainda misturar os idiomas, vale a pena procurar ajuda de um especialista.

As questões contidas neste artigo foram suscitadas durante o seminário da Dra Tracey Tokuhama-Espinosa, da Universidade San Francisco de Quito, Equador, além da matéria trazida pela revista suíça “l’Hebdo”, de nov/2012.

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Publicado em 04/02/2013, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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