Contação de história bilíngue português-inglês

A Abrir  promoveu sua primeira contação de história bilíngue em uma escola inglesa.

5918 hideSylvia Roesch, fala sobre sua experiência em contar, acompanhada da interpretação para o inglês de Maggie Smith,  a história de seu livro “O mistério da mesa arranhada” para um grupo de 30 crianças entre 6 e 7 anos de idade no dia 7 de março de 2013 na escola Sacred Heart .

Contação de história bilíngue português-inglês em escolas inglesas

Por Sylvia Roesch

O evento, realizado para comemorar o Dia Mundial do Livro,  foi promovido pela Abrir  em parceria com a prefeitura

de Islington em Londres.

Onde o português é falado

Maggie e eu estávamos apreensivas por ser esta a primeira vez que iríamos contar uma história de forma bilíngue em uma escola inglesa.  Iniciei o evento anunciando e mostrando no mapa que o português é a língua oficial do Brasil, de Portugal, de Angola, de Moçambique,  dentre outros países do mundo.  Muito nos tranquilizou o fato de haver um brasileirinho e um portuguesinho na turma, visivelmente emocionados com a chance de ouvir uma história em português, em sua própria sala de aula.  Mas, todo o tempo eu me perguntava: ‘como iriam reagir as outras crianças?’

O envolvimento com o mistério na história 

Aos poucos, descobrimos não haver motivo de preocupação, porque as crianças logo interagiram com os fantoches dos animais selvagens da história e se mostraram curiosas com os fatos apresentados a respeito destes. Durante toda a sessão, as maõzinhas levantadas eram muitas. As crianças se envolveram com o mistério na história, ‘sentindo-se detetives’, conforme apontou Elsa Rossi, que observou a sessão. Assim, elas se divertiram a eliminar culpados: ‘Que a boca do jacaré é grande demais’, intuindo que este animal não teria apenas arranhado a mesa, mas a destruído completamente. Perguntados sobre como a família, na história, poderia se livrar do rato, um menino sugeriu espalhar veneno nos dedos e esfregá-los no animal. Mais adiante, tendo as crianças descoberto o culpado, não faltaram sugestões para explicar suas razões: ‘que ele está com fome’, ‘ que gosta de comer pau’… Ou para solucionar o dilema da família: ‘trazer um galho de árvore’, ‘soltar o animal’. Quem sabe quantas outras ideias teriam aparecido se houvesse tempo para todos falarem? Perguntados sobre o que mais apreciaram na história, a turma respondeu ‘gostamos de tudo!’  Assim, a professora, que segundo Elsa Rossi, ‘…estava atenta, sorridente, e a tirar fotos’, decidiu, de acordo com o desejo expresso da turma, que continuaria a trabalhar com este livro em suas aulas.

As crianças e a história em duas línguas 

Maggie e eu presenciamos, sobretudo, a naturalidade com que as crianças ouviram e entenderam a história em duas línguas. Perguntadas, elas afirmaram ter gostado de ouvir a história em português e em inglês. Uma chegou a declarar que agora iria aprender o português.  Foi, então, que Maggie perguntou o óbvio: ‘Alguém nesta turma fala outra língua, além do inglês?’ Resultado: metade da turma levantou a mão. Primeiro, manifestaram-se as crianças que falam línguas europeias: italiano, espanhol, irlandês e polonês. E, então, as demais se encorajaram a responder, o que nos revelou haver na turma crianças que falam filipino (Filipinas), amárico (Etiópia), somali (Somália) e outras línguas da Eritreia e da Nigéria. Eu notei que algumas crianças estavam claramente orgulhosas de declarar sua língua, sua identidade. Por exemplo, um menino etíope aproveitou para nos ensinar que a Eritreia foi, um dia, parte da Etiópia.

Fátima Lessa, que também nos acompanhou como observadora, chegou a sugerir que o evento teria incutido nas próprias crianças a curiosidade de conhecer outras culturas. Deixo aos especialistas a tarefa de interpretar esta experiência.  Da minha parte, concordo com a Maggie,  ter sido ‘um privilégio atuar para uma audiência tão competente e interessada.’

A Abrir terá grande prazer em visitar a escola de seus filhos.

Envie-nos um email para info@abrir.org.uk para solicitar nossa visita.

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Publicado em 14/03/2013, em Notícias ABRIR. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Rita Dorneles

    Deve ter sido emocionante neh? As criancas sao sempre surpreendentes e trabalhar com elas eh indescritivel. Parabens Sylvia… outras escolas poderao se interessar mesmo 🙂

  2. Parabéns pela iniciativa. Espero que outras escolas se interessem.

  3. Olá Rita e Gracia, obrigada pelos comentários. Na verdade, estou visitando uma escola primária (que possui um clubinho de português) em Lancaster no dia 22 de abril. Vai ser um evento para 60 crianças e estarei acompanhada por Sue Tyson-Ward que ensina na escola. Para mais informações visitem minha página em https://www.facebook.com/SylviaRoeschWriter
    Beijo, Sylvia

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