O bilinguismo “necessário”

Malu e filhos

por Malu Mancinelli

Atualmente, existem muitos estudos sobre bilinguismo (plurilinguismo) e desenvolvimento infantil, e atéjá se descarta uma teoria que dizia que as crianças bilíngues teriam um vocabulário mais restrito que as monolíngues, mesmo porque o tamanho do vocabulário é desenvolvido mais tarde, e depende do nível de educação, nível sócio-cultural, hábitos de leitura e escrita. Estudos provam que criar crianças em ambientes com mais de um idioma não prejudica de forma alguma o aprendizado do idioma dominante do país, e também não prejudica seu desenvolvimento escolar.

Os benefícios do bi ou plurilinguismo, já comentados inclusive em outro post , começam cedo e são duradouros. Por exemplo, bebês, aos 7 meses de idade, parecem entender mais comandos que bebês monolíngues. Pesquisas também mostram que pessoas bi ou multilíngues tendem a desenvolver o Mal de Alzheimer mais tarde que as monolíngues.

As dificuldades de se manter um ambiente bilíngue

Os pais sempre comentam sobre a dificuldade que sentem em fazer com que os filhos falem este ou aquele idioma. Ter um dos pais nativos em um segundo idioma não é garantia de que o filho vá ser bilíngue, pois a pressão exercida pelo idioma dominante exige muita determinação e consistência por parte dos pais.

Os pais podem tentar a teoria “cada pessoa, um idioma”. Entretanto, o pai que falar o idioma minoritário precisa se policiar para não usar o idioma dominante com a criança, ou corre o risco dessa criança passar a responder sempre no idioma dominante. Outra teoria que tem bastante sucesso é “um idioma em casa, outro fora”, mas ela exige que ambos os pais sejam bilíngues.

Aqui em casa, trabalhamos com a soma dessa duas teorias. Já que ambos os pais somos brasileiros, em casa, falamos sempre em português, entre nós e também com as crianças. Sempre falamos português com as crianças também fora de casa. As exceções são quando nós (ou as crianças) estamos com amigos que falem outro idioma. As pequenas interações cotidianas (supermercado, lojas, farmácia, padaria) se dão em francês, e as crianças entendem as diferenças de idiomas. Até o pequeno Francisco, agora com 19 meses, solta algo parecido com “bonjour” para os vizinhos. O João (4 anos) frequenta a escola em francês, e o Francisco (19 meses) vai começar a frequentar a creche em francês. Isso tem se mostrado suficiente como exposição ao segundo idioma.

Agora sim, a necessidade

Um pesquisador suíço, François Grosjean  discorda da teoria “cada pessoa, um idioma” e defende que a necessidade é fator crucial para o aprendizado do segundo idioma. A criança deveria viver situações monolíngues regulares em cada idioma, pois se nãoexiste uma situação (escola, viagens, avós) em que apenas um idioma seja possível, a criança por si sópode julgar um dos idiomas desnecessários, e perder o interesse e, consequentemente, a fluência. Para Grosjean, usar um idioma em casa e outro fora tem maiores chances de sucesso.

Os pais que não conseguiram fazer com que seus filhos fossem bilíngues “desde o berço” não devem desistir, mas também não devem perder mais tempo, pois quanto mais cedo a criança for exposta ao segundo idioma, maiores são as chances de um bom aprendizado.

A Noruega introduziu o ensino do inglês desde a primeira série escolar, e a Dinamarca prevê fazer o mesmo em breve. Estes países (ao contrário de outros como França, Alemanha ou Espanha), de idioma pouco difundido, compreenderam que a habilidade linguística é crucial para manter sua futura competitividade. Isso é necessidade.

* As discussões contidas neste artigo são baseadas no artigo “Bringing up baby bilingual”, do blog Multilingualism, Jonhson e em diversos artigos do blog Life Bilingual, do Professor Doutor François Grosjean

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Publicado em 28/11/2013, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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