Arquivo mensal: janeiro 2014

Call for Papers / Chamada para Trabalhos

unnamed(em português)

   O III Seminário de Estudos sobre a Imigração Brasileira na Europa convida para apresentação de trabalhos (orais e cartazes) em  português, espanhol ou inglês sobre qualquer aspecto de pesquisa sobre migração.

 Possíveis tópicos são:

Discriminação, diversidade, educação, espaço urbano, família, fluxos migratórios, gênero, identidade, mídia, trabalho, práticas culturais, redes sociais, religião, representação política, retorno, saúde, sexualidade, entre outros.

Os resumos devem ter no máximo 300 palavras e podem ser em português, espanhol ou inglês.

Formato: Título, nome, afiliação, tipo de apresentação (oral ou cartaz), tópico e resumo (font tamanho 12, Times New Roma, espaço 1.5).

Datas importantes:

  • 14 de fevereiro de 2014 – Data final para envio de resumos (deadline)
  • 28 de fevereiro de 2014 – Resultado da seleção de trabalhos (a ser enviado por e-mail)

 Resumos a serem enviados para: seminariobrasil2014@yahoo.co.uk

* Note que inscrições devem ser feitas até o dia 7 de março de 2014 para que os resumos sejam incluídos na programação.

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(in English)

The 3rd Seminar of Studies on Brazilian Migration in Europe invites proposals for presentations (oral and posters) in Portuguese, Spanish and English on any aspect of research on migration.

Topics may include:
Business, cultural practices, discrimination, diversity,  education, family, gender, health, identity(ies), media, migration flows, political representation, religion, return, sexuality, social networks, urban space, among others.

Abstract should be no longer than 300 words maximum and can be in Portuguese, Spanish or English.

Format: Title, Name, Affiliation, Type of presentation (Oral or Poster), Topic contribution and Abstract (Times New Roman, font size 12, 1.5 Space)

Important Dates:

  • 14th February 2014 – Abstract Submission Deadline
  • 28th February 2014 – Results (will be informed via e-mail)

Please send your Abstract to: seminariobrasil2014@yahoo.co.uk

* Please note that in order to have the abstract published and the presentation included in the programme, registrations must be made no later than 7th March 2014.

O III Seminário de Estudos sobre a Imigração Brasileira na Europa

O III Seminário de Estudos sobre a Imigração Brasileira na Europa

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Local: Nunn Hall, 4o Andar, Instituto de Educação, 20 Bedford Way, WC1H 0AL, Londres, Inglaterra.

Datas

Sexta-feira, 4 de Abril de 2014, 9h30-18h

Sábado, 5 de abril de 2014, 9h30-18h

Detalheshttp://3seminariobrasileuropa2014.wordpress.com


Job opportunity: Lecturer in Brazilian/Lusophone African Studies

jobs picUCL School of European Languages, Culture and Society Spanish and Latin American Studies

University College London

More details: http://www.jobs.ac.uk/job/AHZ584/

Trilinguismo e o segundo filho

João e Francisco

João e Francisco

por Malu Mancinelli

Há uns dois anos, eu escrevi sobre a expectativa de criar o segundo filho em ambiente bilíngue (releia aqui) e, agora, os primeiros frutos dessa inquietação começam a ser colhidos.

Francisco tem hoje 21 meses, e um vocabulário que compreende 11 palavras, um som que eu quase reconheço como “bonjour” e um estoque considerável de onomatopeias! Estas compreendem uma boa gama de animais, temos os clássicos “au-au”, “miau”, “muuuu”, “mééééé”, “cocó”, “piu-piu”, “ronc-ronc” (o porco), “iiiiiiiiiihhhh” (o cavalo), “u-u-a-a” (macaco),”sssssssss” (cobra),  “roarhhhh” (leão, urso, tigre e outro ferozes ou dentuços) além do nosso preferido “rubber”, uma imitação de sapo com direito a um pulinho!abrir jan bilinguismo_joaoabrir jan bilinguismo_au au

As palavras, em ordem de aparição (e eu imagino, de importância na vidinha dele) são “João”, o nome do irmão, “água” pois meu filho tem sede, “carro” pois se trata de um menino, “au-au” porque conhecemos muitos cachorros, “memê” que é o nome que ele deu para a chupeta, “papai”, porque os homens são unidos, “avião” pois se trata de um carro com asas, “cocóti” porque helicópteros são um carro com uma grande hélice em cima, “look” porque ele quer mostrar as coisas, e finalmente, a grande conquista linguística do rapaz: “não”, pois desde cedo é preciso protestar! Ele também sempre aponta para coisas e diz “no-noc”, mas não tenho a menor ideia do que ele queira dizer. Não, não me enganei. Ele não fala mamãe! Falou umas duas vezes, mas porque estava realmente em perigo, mas não faz parte do vocabulário de repetições dele.

Daí surge um estranhamento: se ele fala todas as palavras em português, o que faz um “look”, em inglês, lá naquela lista?abrir jan bilinguismo_look

Estratégias linguísticas

As estratégias que havíamos determinado para o primeiro filho continuaram valendo para o segundo. Em casa, falamos apenas português. O João fala um português bastante sofisticado para uma criança de 4 anos, usando tempos verbais corretos e fazendo todas as concordâncias. Francisco tem então três modelos linguísticos, contra os dois que eram oferecidos ao irmão.

A televisão, entretanto, fala preferencialmente (e não mais exclusivamente) em inglês. O primeiro filho não tinha muita chance de mudar o canal ou idioma do programa, porém hoje ele às vezes quer assistir desenhos em francês com o amigo, e o segundo acaba assistindo junto. A vida fora de casa acontece em francês, as compras, amigos no parquinho, a creche, os colegas de escola do João.

Mas a Suíça é um país cheio de surpresas linguísticas, e de repente ficamos cercados de amigos que falam inglês. A vizinha iraniana que foi adotada como avó fala com os meninos sempre em inglês, um amiguinho da escola com quem o João fala inglês e cuja família ficou amiga, outra vizinha inglesa teve uma bebê que virou queridinha aqui em casa (João adora ensinar a bebê de 8 meses a falar, e fala com ela em inglês: “look, Julie, a car!”). Acredito que, embora a televisão tenha perdido a “exclusividade do inglês”, a exposição das crianças a esse idioma aumentou. E acredito que daí tenha vindo o “look”.

Persistência é a chave

Nem sempre nossos planos funcionam. Algumas vezes o ritmo de vida – que muda drasticamente ao ter filhos – não deixa lugar para a realização desses planos. O importante é traçar uma meta e estabelecer um plano, que pode ser um plano simples, e não desistir! Mesmo que a criança se recuse a falar neste ou naquele idioma, tenha a certeza de que ela está aprendendo. A criança compreende o idioma e, quando (e se) sentir necessidade, vai resgatar o que aprendeu.

Não importa se são apenas 15 minutos diários, a leitura de um livro no idioma materno antes de dormir, aquelas duas horinhas por semana de curso de português ou assistir junto aquele DVD que a avó deu de presente.  Todo esforço é recompensado. Mesmo que alguns filhos ainda não falem “mamãe”.abrir jan bilinguismo_ mamae