Então é Natal!

por Malu Mancinelli

NoelNão importa se você chama o bom velhinho de Papai Noel, Pai Natal, Père Noel, Saint Nicholas ou Santa Claus. O importante é que o Natal nos oferece alguns motivos extras para praticar o segundo idioma, o idioma minoritário, o idioma dos avós e do resto da família.

Se o seu filho frequenta uma escola e casa de amigos que utilizam um idioma diferente do seu, é bem provável que a conversa de férias e Natal tenha acontecido usando esse idioma. Por aqui, o Père Noel virou assunto diário, apareceu em músicas de Natal, na lista de presentes, e até cartinha em francês ele recebeu (porque os funcionários dos correios aqui na Suíça respondem as cartinhas enviadas ao Papai Noel, individualmente, e toda criança merece ter uma resposta do Polo Norte!).

No entanto, me senti na obrigação de remexer a memória – e a Internet – para resgatar cantigas de Natal da minha infância, em português. Ler contos de Natal, explicar o que é um presépio, quem são os personagens desse presépio, assistir desenhos com tema natalino, cantar músicas, aprender o nome das renas em português são coisas relativamente simples e que agregam vocabulário e sentimento. Nas conversas via Skype com os primos, tios e avós, não houve nenhuma falha de comunicação, e a comunicação com o Papai Noel se deu também em português, para que não houvesse dúvida quanto ao presente escolhido.

Se as tradições mudam de um país para o outro, vivenciar o Natal em dois idiomas ajuda a construir o pertencimento a diferentes culturas. Aqui na Suiça, toda criança tem um “calendário do Advento”, e todas as manhãs elas recebem um pequeno presente (ou uma bala ou um chocolate), do dia 1º. ao dia 24 de dezembro. No dia 25 de manhã chega o presente de verdade, colocado debaixo da árvore de Natal. Fizemos assim aqui em casa, mas eu expliquei que no Brasil, as crianças só ganham os presentes no dia 24, à meia-noite.

Toda festividade é carregada de tradição, e cada uma oferece inúmeras oportunidades para que nossos filhos se sintam à vontade transitando entre dois idiomas e duas culturas. Agora precisamos carregar as baterias para receber o novo ano que se inicia. Sem queima de fogos na praia, sem pular sete ondas à meia-noite, mas resgatando as pequenas tradições brasileiras possíveis: vestir branco, comer lentilha, doze uvas, sete sementes de romã. Apesar da temperatura gelada e da paisagem de neve por aqui, conversar com as crianças sobre essas diferenças, em português, é um modo de fazer a criança se sentir um pouquinho mais brasileira.

Feliz Ano Novo!

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Publicado em 29/12/2014, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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