Lidando com Alguns Mitos sobre o Bilinguismo

por Aline Reading

Tive a oportunidade de participar de uma oficina ministrada pela Dra. Ana Souza, presidente da ABRIR, na escola de português que a minha filha frequenta em Hertfordshire, a Escolinha do Brasil e Centro Cultural (EBeCC), no dia 8 de junho de 2015. Assim, compartilho com vocês essa experiência, que foi muito positiva! Oficina

Minhas expectativas

Meu marido é inglês e temos uma filha de 5 anos. Apesar de ter falado sempre português com ela, e até ter lido livros em português para ela desde que ela era bebê, a minha filha prefere o inglês e desde seus 3 aninhos de idade praticamente recusou-se a falar comigo no meu idioma de origem. Então, fui à oficina Mitos sobre o Bilinguismo confiante de que eu teria todas as ferramentas que iriam finalmente fazer com que minha filha aprendesse o português de uma vez por todas, como num passe de mágica.

Respostas nem certas nem erradas

Ao chegarmos, a Ana pediu para que nos apresentássemos e que nos reuníssemos em grupos. Foi nos dada uma lista de tópicos que discutimos, e nos foi salientado que não havia respostas certas ou erradas. Fomos conversando e dividindo experiências: aprender duas línguas ao mesmo tempo confunde as crianças? Falar duas línguas faz com que crianças desenvolvam maior habilidade de raciocínio? E misturar os dois idiomas, pode? Quem nunca ouviu que a única maneira de uma criança aprender um idioma é se a mãe ou o pai usarem estritamente aquele idioma quando conversar com o filho? Esse tópico causou muita discussão, e uma das mães comentou que ficava até brava se as filhas falassem em inglês entre elas na casa onde os pais eram brasileiros! Me vi nela também, pois inúmeras vezes eu disse a minha filha, “De hoje em diante só falo em português com você. Esqueci meu inglês!” Ela não entendia, ficava aflita, por que eu não ia mais falar com ela na língua que ela preferia e se sentia confortável? Eu mesma pensava, o que estou fazendo? Será que tem que ser assim tão rígido mesmo? A Ana então colocou de uma maneira muito simples e clara: “Meninas, relaxem! Não somos todas bilingues? Não existem expressões que preferimos usar em inglês ao invés do português?” Era como se uma grande ficha tivesse caido: eu também sou bilingue. Eu gosto de falar inglês, por que vou retirar isso completamente da comunicação com minha filha, tornando o ensino do meu idioma uma coisa árdua, chata, que nenhuma das duas quer fazer? Era minha responsabilidade mostrar para a minha filha que falar português é legal, e tornar uma coisa atraente pra ela.

O impacto da oficina na minha comunicação com minha filha

Na semana que se passou, eu falava em inglês quando tinha vontade com a minha filha, mas sempre voltando ao português. Falava os dois. Estava eu um dia falando com minha filha, em português, e ela estava respondendo em inglês, que por sinal havia sido a nossa forma de comunicação de praxe por um bom tempo. Até que uma coisa mágica aconteceu: a minha filha começou a falar em português comigo. Na minha cabeça estouravam  fogos de artifício, que ela não percebeu, pois fiz questão de ficar com uma cara de paisagem para não estragar o momento. Às vezes ela olhava pra mim e falava metade em português e metade em inglês, me dando a dica da palavra que ela não sabia. Eu via que ela estava fazendo um esforço tremendo para falar em português, e percebi o quanto deve ter sido frustrante e difícil para ela quando eu dizia que ela tinha que falar só em português comigo! Depois de um tempo, abracei-a e disse que havia notado que ela estava falando português, e ela me respondeu: “I am learning”.

Meu aprendizado

O que eu aprendi, é que as criancas bilingues não tem um molde. Para certas crianças, falar português não é uma coisa que vai acontecer assim, de repente, como mágica.  É um aprendizado orgânico, não podem haver pressões. Não existe uma maneira certa ou errada de ensinar, existe a maneira que funciona pra você. Ninguém gosta de rigidez. Algumas crianças aprendem rápido, outras demoram mais um pouquinho. Tem que se ter paciência, e quem sabe com o tempo, a minha filha vai me agradecer por eu ter persistido e ensinado para ela esse lindo idioma que é o nosso português.

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Publicado em 16/08/2015, em Bilinguismo. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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